Justiça de SP dá 5 dias para Câmara explicar conclusão de CPI que investiga fraudes em imóveis sociais; oposição fala em processo atropelado

Justiça de SP dá 5 dias para Câmara explicar conclusão de CPI que investiga fraudes em imóveis sociais; oposição fala em processo atropelado Vereador Nabil Bonduki (PT), vice-presidente da CPI da HIS, entrou na Justiça para tentar suspender votação do relatório final, prevista para esta terça-feira (19). Parlamentar afirma que recebeu documento de 1,7 mil páginas somente nesta segunda (18). Por João de Mari, Laura Cassano e Paulo Gomes | g1 SP e TV Globo 18/05/2026 Prédio em SP. — Foto: Reprodução/TV Globo A Justiça de São Paulo deu prazo de cinco dias para que a Câmara Municipal e o presidente da CPI da Habitação de Interesse Social (HIS), vereador Rubinho Nunes (União), expliquem o encerramento das investigações da comissão e a tramitação do relatório final, previsto para ser votado nesta terça-feira (19). 🔎 Instalada em setembro de 2025, a CPI da HIS investiga possíveis fraudes na produção e comercialização de moradias populares em São Paulo, incluindo compra por investidores, aluguel irregular e uso de apartamentos em plataformas como Airbnb. A decisão, assinada nesta segunda-feira (18) pelo juiz Evandro Carlos de Oliveira, da 7ª Vara da Fazenda Pública, foi tomada após o vereador Nabil Bonduki (PT), vice-presidente da CPI, acionar a Justiça alegando que a tramitação ocorreu de forma “atropelada”. O parlamentar pede a suspensão da votação do relatório e dos atos posteriores ao encerramento da fase de investigação da comissão. A oposição na CPI da HIS defende um endurecimento das investigações sobre fraudes envolvendo moradia popular e quer incluir no relatório final pedidos mais amplos de apuração (leia mais abaixo). Na decisão, o magistrado não concedeu nem negou a liminar solicitada pela oposição. O juiz determinou apenas que as autoridades apontadas no processo se manifestem antes de analisar o pedido de urgência. Segundo Bonduki, ele recebeu o relatório final, com 1.739 páginas, apenas às 11h desta segunda, ou seja, 24 horas antes do horário previsto para o documento ser votado. “Vamos votar um relatório sem ler?”, questionou o parlamentar. Bonduki disse que apresentou propostas ao relator da CPI, vereador Dr. Murillo Lima (PP), e quer que novas medidas sejam incorporadas ao texto antes da votação. O vereador afirmou ainda que PT e PSOL devem votar contra o parecer caso as sugestões da oposição não sejam contempladas. Entre os pontos defendidos por Bonduki está a inclusão de uma lista de pessoas e empresas que deveriam ser investigadas por suspeitas de fraudes relacionadas à política de moradia popular. Ele também afirmou considerar importante ouvir a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL), responsável pelo licenciamento e emissão do habite-se dos empreendimentos. Segundo o parlamentar, a oposição defende que já conste no licenciamento a identificação de quais unidades são enquadradas como HIS e HMP, para facilitar fiscalização e controle. O que diz o relatório O relatório final da CPI, obtido pelo g1 nesta segunda, propõe medidas como proibição do uso de apartamentos populares em plataformas de aluguel de curta temporada, como Airbnb, limitação da compra de unidades HIS e HMP a um imóvel por CPF e criação de mecanismos mais rígidos de fiscalização sobre empreendimentos incentivados. O texto também sugere multas, suspensão da comercialização e cassação de alvarás de empresas que descumprirem regras da política habitacional da cidade. Entre os principais encaminhamentos apresentados no relatório estão: proibição de aluguel de curta temporada em unidades HIS e HMP; limitação da compra de apartamentos populares a uma unidade por CPF; criação de mecanismos de priorização para famílias já cadastradas na fila da habitação popular; criação de mecanismos de autodenúncia e reforço da fiscalização; criação de uma ouvidoria na Secretaria Municipal de Habitação para denúncias de irregularidades; aplicação de multas e cassação de alvarás de empresas que descumprirem regras da política habitacional; disponibilização pública e didática do relatório da CPI em plataforma online. O relatório também recomenda o envio das conclusões ao Ministério Público Estadual e Federal, à Polícia Federal e à Polícia Civil para eventual investigação de responsabilidades civis, penais e administrativas relacionadas ao uso irregular de benefícios concedidos à habitação social. Airbnb inicia ‘pente-fino’ Donos de apartamentos em São Paulo anunciados no Airbnb, plataforma de aluguel de curta temporada, começaram a receber notificações sobre possíveis irregularidades e risco de exclusão dos anúncios no site. Desde maio de 2025, um decreto da prefeitura de São Paulo proíbe que unidades de Habitação de Interesse Social (HIS) sejam destinadas ao aluguel de curta temporada. A regra foi estabelecida depois da descoberta de um esquema de fraudes das construtoras. Em um comunicado via e-mail enviado ao dono de um imóvel cadastrado na plataforma, o Airbnb disse que “iniciou análises sobre eventuais irregularidades em acomodações anunciadas na plataforma na cidade de São Paulo, com base na listagem oficial fornecida nesta data pela Prefeitura de São Paulo”. “Nos próximos dias, os anfitriões que tenham anúncios irregulares receberão uma notificação da plataforma com detalhes sobre a remoção dos seus anúncios”, diz o comunicado ao qual o g1 teve acesso. No final de março, a prefeitura enviou à Câmara Municipal uma lista de empreendimentos imobiliários aprovados com incentivos municipais para a produção de moradia para a população de baixa renda. Essa lista está sendo usada pela plataforma para identificar imóveis que estejam em desconformidade com a legislação. Em nota, a empresa disse que tem atuado de forma contínua e colaborativa com a Câmara Municipal e com a Prefeitura de São Paulo, que iniciou a análise dos imóveis em 27 de abril e que, na última segunda (4), enviou o comunicado sobre anúncios irregulares aos anfitriões da cidade de São Paulo. Notícia anteriorPróxima notícia CPI Comissão Parlamentar de InquéritoPP ProgressistasPSOLPT Partido dos TrabalhadoresSão Paulo SPTJ-SPUnião BrasilVereador Eduardo Bolsonaro esconde viagem ao Bahrein e só aparece em vídeo de Mário Frias 19/05/2026 Marqueteiro de Flávio, que recebeu R$ 650 mil de Vorcaro, assinou contratos milionários com o governo Bolsonaro 19/05/2026 Valor pedido por Flávio Bolsonaro a Vorcaro equivale a 11% do total investido pelo governo do Rio no Banco Master 19/05/2026 Deixe seu comentário Nome E-mail Comentário Enviar Whatsapp X-twitter Facebook More than 2 results are
MPRJ requer que município de Búzios cumpra compromissos na área de mobilidade urbana e meio ambiente

Nunes Marques nutre esperança de Costa Neto de tornar Bolsonaro presidenciável O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Núcleo Cabo Frio, ajuizou ações civis públicas em face do Município de Armação dos Búzios para exigir o cumprimento de Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) firmados com a municipalidade, relativos à revisão do Plano Diretor e à atualização do Plano Municipal de Mobilidade Urbana. Por MPRJ 18/05/2026 MPRJ requer que município de Búzios cumpra compromissos na área de mobilidade urbana e meio ambiente A atuação decorre do descumprimento de obrigações assumidas pelo município em matéria de planejamento urbano, mobilidade, participação social e transparência administrativa. Os compromissos firmados previam a estruturação de procedimento licitatório para contratação de consultoria especializada, a submissão dos termos de referência à consulta pública, a conclusão da fase interna da licitação em 2024, o início da fase externa em janeiro de 2025, e o posterior encaminhamento dos respectivos projetos de lei à Câmara Municipal. No entanto, o município não comprovou a publicação do edital, a efetiva abertura da licitação, a contratação da consultoria, o início dos estudos técnicos, a realização das etapas participativas nem a consolidação dos produtos finais. Aponta o MPRJ que a revisão desses instrumentos é indispensável ao ordenamento urbano de Búzios, especialmente diante da intensa pressão turística, imobiliária, viária, ambiental e territorial existente na cidade. O Plano Diretor orienta o uso e a ocupação do solo, a expansão urbana e a função social da cidade e da propriedade, enquanto o Plano Municipal de Mobilidade Urbana disciplina transporte público, circulação viária, acessibilidade, integração modal, estacionamentos, ciclovias, deslocamentos a pé e demais componentes da mobilidade urbana. Nas ações, o MPRJ requer, em caráter de urgência, que o município apresente a íntegra dos procedimentos administrativos de contratação, conclua as análises internas pendentes, sane eventuais inconsistências dos termos de referência, submeta os documentos à consulta pública, publique o edital, conclua a licitação e contrate a consultoria especializada. O órgão também pede a apresentação de relatórios mensais de cumprimento, a incidência da multa convencional de R$ 20 mil por mês de atraso e a fixação de multa diária judicial. Medidas também na área ambiental Recentemente, foi requerida a busca e apreensão de documentos, com pedido de tutela de urgência, para obter informações da Secretaria de Estado da Casa Civil sobre a tramitação de procedimento administrativo relacionado à compensação ambiental do empreendimento Aretê Búzios, em Armação dos Búzios. A medida decorre da ausência de resposta a sucessivas requisições ministeriais expedidas no âmbito de inquérito civil que acompanha o cumprimento de obrigações ambientais vinculadas à Licença de Instalação nº IN049616. A investigação apura a efetiva implementação de compensação ambiental decorrente da supressão de vegetação autorizada pelo INEA. Parte dessa compensação foi formalizada no Termo de Compromisso Ambiental nº 001/2022, que prevê a doação ao INEA de imóvel com área de 211 hectares, situado no Parque Estadual dos Três Picos. A conclusão da medida depende da edição de decreto autorizativo pelo Governo do Estado e da posterior lavratura da escritura pública de doação. Segundo informações prestadas pelo INEA, as providências de sua responsabilidade já teriam sido concluídas, com encaminhamento do processo administrativo à Casa Civil para análise e tramitação da minuta do decreto autorizativo. A partir daí, a Promotoria requisitou informações diretamente à Casa Civil, mas não obteve resposta, mesmo após diversas reiterações por e-mail, correspondência registrada, envio de ofício e advertências quanto às consequências legais da omissão. Com a ação judicial, o MPRJ busca garantir o acesso a documentos físicos e digitais relacionados ao processo SEI-070002/010570/2022, à minuta do decreto, ao termo de compromisso ambiental, ao imóvel objeto da doação e aos atos administrativos correspondentes. A finalidade da medida é assegurar transparência, preservar a prova documental, instruir adequadamente o inquérito civil e permitir a adoção das providências cabíveis para a efetiva tutela do meio ambiente e da legalidade administrativa. Balanço das atuações mais recentes Nos últimos meses, o Ministério Público intensificou sua atuação em Armação dos Búzios em diversas frentes relacionadas à proteção do meio ambiente, da ordem urbanística, da mobilidade urbana, da fauna, dos direitos dos animais e da transparência administrativa. A atuação incluiu o ajuizamento de ações civis públicas, medidas cautelares, pedidos de busca e apreensão de documentos e execuções de TACs, especialmente diante de reiteradas omissões administrativas, respostas incompletas, pedidos sucessivos de dilação de prazo e descumprimento de requisições ministeriais. O MPRJ adotou medidas envolvendo a APA Águas de Tucuns, a Ponta da Sapata/Enseada do Gancho, a Ponta do Pai Vitório, a APA do Pau Brasil, procedimentos de regularização fundiária urbana, políticas de proteção animal e manejo de animais silvestres, além de ação cautelar relacionada à compensação ambiental do empreendimento Aretê Búzios. Segundo o MPRJ, as medidas buscam assegurar o cumprimento de deveres legais, o acesso a documentos públicos indispensáveis à fiscalização institucional e a adoção de providências efetivas para proteção dos direitos difusos da coletividade. Notícia anteriorPróxima notícia Deputado FederalOperação Lava JatoPGR Procuradoria Geral da RepúblicaPL Partido LiberalPresidente da RepúblicaPT Partido dos TrabalhadoresSenadorSTF Supremo Tribunal Federal Caiado diz que vai ‘alforriar’ favelas do Rio se for eleito presidente: ‘Vão ser libertadas’ 10/07/2026 PF aponta servidora Mariângela Fialek, a ‘Tuca’, como operadora do esquema de emendas atribuído a Valdemar Costa Neto 10/07/2026 Dino cita indicação de emendas por Valdemar mesmo sem mandato e manda bloquear até R$ 119 milhões do presidente do PL 10/07/2026 Deixe seu comentário Nome E-mail Comentário Enviar Whatsapp X-twitter Facebook More than 2 results are available in the PRO version (This notice is only visible to admin users) Mais lidas na semana Caiado diz que vai ‘alforriar’ favelas do Rio se for eleito presidente: ‘Vão ser libertadas’ PF aponta servidora Mariângela Fialek, a ‘Tuca’, como operadora do esquema de emendas atribuído a Valdemar Costa Neto Dino cita indicação de emendas por Valdemar mesmo sem mandato e manda bloquear até R$ 119 milhões do presidente do PL TRE-DF bloqueia contas de ex-esposa de Bolsonaro Nunes Marques nutre esperança de Costa Neto de
Câmeras flagram execução de homem em situação de rua em Cabo Frio

Aluguel de software pode ser excelente negócio se a contratante for a Secretaria de Governo de Nova Iguaçu Crime aconteceu na Rua do Céu, no bairro Buraco do Boi, na noite deste domingo (17). Por Ludmila Lopes | g1 18/05/2026 Execução de homem em Cabo Frio — Foto: RLagos Cabo Frio – Câmeras de segurança registraram o momento em que um homem em situação de rua foi morto a tiros na noite deste domingo (17), no bairro Buraco do Boi, em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio. O crime aconteceu na Rua do Céu, por volta das 20h55. Segundo a Polícia Militar, equipes foram acionadas após denúncias de disparos de arma de fogo e de um homem baleado na via. Ao chegarem ao local, os policiais encontraram a vítima caída no chão, já sem vida. A vítima foi identificada como “Dudu capeta”, segundo a polícia. De acordo com informações repassadas por moradores à PM, a vítima seria um homem em situação de rua e, pouco antes do crime, estaria arremessando pedras na direção de pessoas da comunidade. Em seguida, homens ainda não identificados teriam se aproximado e efetuado os disparos. Imagens de câmeras de segurança da região flagraram a ação criminosa e devem auxiliar nas investigações sobre a autoria do homicídio. A área foi isolada para o trabalho da perícia e remoção do corpo. O caso será investigado pela Polícia Civil. A Polícia Militar informou que intensificou o policiamento no bairro e segue realizando buscas nesta segunda-feira (18) pelos envolvidos no crime. Notícia anteriorPróxima notícia Nova Iguaçu RJRegião Metropolitana e Baixada Fluminense Caiado diz que vai ‘alforriar’ favelas do Rio se for eleito presidente: ‘Vão ser libertadas’ 10/07/2026 PF aponta servidora Mariângela Fialek, a ‘Tuca’, como operadora do esquema de emendas atribuído a Valdemar Costa Neto 10/07/2026 Dino cita indicação de emendas por Valdemar mesmo sem mandato e manda bloquear até R$ 119 milhões do presidente do PL 10/07/2026 Deixe seu comentário Nome E-mail Comentário Enviar Whatsapp X-twitter Facebook More than 2 results are available in the PRO version (This notice is only visible to admin users) Mais lidas na semana Caiado diz que vai ‘alforriar’ favelas do Rio se for eleito presidente: ‘Vão ser libertadas’ PF aponta servidora Mariângela Fialek, a ‘Tuca’, como operadora do esquema de emendas atribuído a Valdemar Costa Neto Dino cita indicação de emendas por Valdemar mesmo sem mandato e manda bloquear até R$ 119 milhões do presidente do PL TRE-DF bloqueia contas de ex-esposa de Bolsonaro Nunes Marques nutre esperança de Costa Neto de tornar Bolsonaro presidenciável
Em áudios, deputado Thiago Rangel dá ordens na Educação e negocia cargos para traficante, diz PF

PF cita falta de servidores e pede a Mendonça mais prazo para concluir análise de material apreendido em investigação que menciona Lulinha Mensagens extraídas de celulares apreendidos ligam deputado preso a suposto esquema de fraudes em obras de escolas estaduais, loteamento de cargos públicos e articulação com aliados investigados por tráfico. Ouça os áudios que o RJ1 teve acesso. Por Guilherme Peixoto, Márcia Brasil e Raoni Alves | RJ1 18/05/2026 O deputado Thiago Rangel foi preso pela PF — Foto: Divulgação Áudios e mensagens obtidos pela Polícia Federal na Operação Unha e Carne mostram o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) atuando diretamente sobre cargos estratégicos da Secretaria Estadual de Educação e negociando vagas na área para pessoas ligadas ao traficante Arídio Machado da Silva Júnior, o “Júnior do Beco”, segundo a investigação. (Ouça acima os áudios que o RJ1 teve acesso). Rangel está preso há 13 dias, acusado de chefiar um esquema criminoso de fraudes e desvios de recursos da educação. Os diálogos fazem parte do inquérito que levou à prisão preventiva do parlamentar, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no fim de abril. A PF suspeita que Thiago Rangel chefiava um esquema de fraudes em contratos de obras e serviços da rede estadual de ensino, além de lavagem de dinheiro envolvendo empresas e uma rede de postos de combustíveis. Em um dos áudios atribuídos ao deputado, enviado à então diretora regional de Educação do Noroeste Fluminense, Júcia Gomes de Souza Figueiredo, Thiago ordena o que deve ser feito na estrutura da educação. “Júcia, continua aí do jeito que você tem que estar. Tudo que acontecer dentro da regional eu quero saber. Eu não tenho que dar satisfação a ninguém. O deputado sou eu. A indicação é minha e quem manda sou eu”. Segundo a Polícia Federal, a mensagem foi enviada em agosto de 2024 e extraída do celular de Júcia, que também foi presa na operação. Na época, ela comandava a Regional Noroeste da Seeduc, responsável por 57 escolas estaduais distribuídas em 13 cidades do Norte e Noroeste Fluminense, com mais de 3.200 servidores. PF vê controle político De acordo com a investigação, a conversa foi encontrada no trecho do inquérito que apura possíveis fraudes em contratos de obras em escolas estaduais. Para os investigadores, o áudio demonstra que Júcia teria sido indicada diretamente por Thiago Rangel e mantinha relação de subordinação política ao deputado dentro da estrutura da Secretaria de Educação. A PF descreve Júcia como uma espécie de “longa manus” do parlamentar — expressão usada para indicar alguém que atuaria como extensão operacional do deputado dentro do órgão público. Os investigadores afirmam ainda que ela exercia função “vital” para o funcionamento do esquema criminoso, justamente por coordenar administrativamente dezenas de escolas estaduais. Na decisão que autorizou a prisão preventiva do deputado, Alexandre de Moraes reproduz os argumentos da Polícia Federal e afirma que os elementos apontam para a “instrumentalização” da Secretaria Estadual de Educação em benefício do grupo investigado. Transferência suspeita Outro diálogo destacado pela PF ocorreu em outubro de 2024. Segundo o relatório, Júcia encaminhou a Thiago Rangel um comprovante de transferência de R$ 100 mil da empresa VAR Construtora para a empresa E. H. Almeida de Souza Casas de Festas. Logo depois, ela reenviou mensagens afirmando: “Já mandei 100”; “amanhã vai o resto”. Para a Polícia Federal, a movimentação reforça suspeitas de lavagem de dinheiro e circulação de recursos desviados de contratos públicos. A investigação aponta que a VAR Construtora aparece ligada a obras em escolas estaduais e não possuía funcionários registrados na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), o que, segundo a PF, eleva o risco de fraude. Os investigadores afirmam ainda que a empresa destinatária dos valores seria usada para movimentação financeira do grupo investigado. Áudio liga deputado a criminoso Outro conjunto de mensagens analisado pela PF tenta demonstrar a relação de Thiago Rangel com Arídio Machado da Silva Júnior, o “Júnior do Beco”, apontado pela própria corporação como traficante de “alta periculosidade”, com antecedentes por homicídios e tráfico de drogas. As conversas foram extraídas do celular de Fábio Pourbaix Azevedo, apontado como braço direito de Thiago Rangel e também preso na operação. Segundo a investigação, Thiago teria reservado vagas de “auxiliar de serviços gerais” na área da Educação para indicações feitas por “Júnior do Beco”. A PF afirma que Fábio Pourbaix pediu a Thiago o contato do traficante para saber quem seriam os indicados para os cargos. Em seguida, o deputado envia um telefone salvo como “Junior Beco”. De acordo com os investigadores, Thiago afirma que possuía oito vagas disponíveis na Educação e que uma delas deveria ser destinada a um indicado do traficante. Em um dos áudios divulgados pela PF, uma mulher identificada como Gleice Maria Batista da Silva cobra a nomeação prometida: “Thiago Rangel, aqui é Gleice, irmã de Juninho do Beco. Eu fui fazer uma entrevista em agosto ou setembro e até hoje não me deram uma posição. Meu irmão pediu para eu te ligar para ver o que estava acontecendo.” A PF afirma que posteriormente cruzou dados e identificou Gleice como irmã de “Júnior do Beco”. Distribuição de cargos As mensagens analisadas pela investigação também mostram orientações sobre a organização dos nomes indicados para os cargos. Em outro áudio, atribuído a Thiago Rangel, o deputado orienta: “Você faz dois bloquinhos, prende um papelzinho escrito Junior do Beco e bota um clip juntando os dois.” Segundo a Polícia Federal, os diálogos indicam: distribuição política de cargos públicos; uso da estrutura da Educação para atender interesses pessoais e alianças criminosas; proximidade entre o parlamentar e pessoas ligadas ao tráfico. Os investigadores afirmam ainda que as conversas foram incluídas no capítulo “Observações Finais” da Operação Postos de Midas justamente para demonstrar possíveis conexões entre o deputado e crimes violentos. Na decisão do STF, Alexandre de Moraes utiliza esses diálogos para reforçar o argumento de risco à ordem pública e de continuidade das atividades criminosas. Influência em órgãos públicos A investigação também revelou uma planilha encontrada no computador de Rui Bulhões, ex-chefe de gabinete do então presidente da Alerj Rodrigo Bacellar. O documento listava deputados estaduais, os órgãos
Ricardo Magro criou o imposto quântico

Ricardo Magro criou o imposto quântico “Os grandes alquimistas fiscais operam em outra atmosfera regulatória, quase metafísica. Seus patrimônios tornam-se fluidos. Suas estruturas societárias adquirem propriedades cubistas. Seus passivos desaparecem com elegância coreográfica” Por Paulo Henrique Arantes | Fórum 18/05/2026 O empresário Ricardo Magro, alvo de investigação da PF – Foto: Reprodução Sempre que a Polícia Federal abre uma operação envolvendo refinarias, distribuidoras, empresas “estrategicamente” quebradas, holdings exóticas e cifras bilionárias, já se sabe mais ou menos o roteiro: desaparecem impostos, aparecem offshores, evaporam-se patrimônios e, por coincidência cósmica, políticos influentes orbitam o cenário. É o caso do empresário Ricardo Magro e do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro. Segundo o que foi noticiado até agora, o grupo empresarial ligado a Magro teria desenvolvido uma espécie de inovação tecnológica: o imposto quântico sobre combustível. O combustível é vendido normalmente, o consumidor paga o imposto normalmente, o dinheiro circula normalmente — mas o tributo, misteriosamente, entra em estado gasoso antes de chegar aos cofres públicos. Trata-se de um gigantesco esquema de sonegação: empresas faturam bilhões enquanto o Fisco tentaria descobrir, inutilmente, quem deve, onde está o dinheiro e qual companhia ainda existe além da placa enferrujada num escritório vazio na Barra da Tijuca ou na Faria Lima. Nada a ver com a vetusta figura do comerciante que “esqueceu” uma nota fiscal. Está-se diante de algo um tanto mais ambicioso, operado por um verdadeiro congresso de tributaristas criativos. Empresas surgem. Empresas desaparecem. Patrimônios evaporam. Recursos viajam. Holdings aparecem em cascata. O dinheiro faz turismo internacional e o Estado corre atrás do próprio rabo. Naturalmente, o enredo não estaria completo sem a presença do poder político. É aí que entra Cláudio Castro. Segundo a Polícia Federal, há prováveis favorecimentos estatais, por influência dele, ao grupo empresarial de Magro. Incentivos fiscais, decisões administrativas providenciais e relações políticas suspeitas integram o cardápio da operação, num exemplo perfeito de que a fronteira entre interesse público e lobby privado é tênue, ou inexistente. A dinâmica é conhecida: empresários afirmam defender “segurança jurídica”; políticos defendem “desenvolvimento econômico”; o Estado concede benefícios; depois descobre-se que o desenvolvimento mais vigoroso alcançou exclusivamente o patrimônio dos envolvidos endinheirados. Paralelamente, o contribuinte comum continua vivendo na dimensão paralela em que recebe cobrança automática quando atrasa o recolhimento do MEI. Os grandes alquimistas fiscais operam em outra atmosfera regulatória, quase metafísica. Seus patrimônios tornam-se fluidos. Suas estruturas societárias adquirem propriedades cubistas. Seus passivos desaparecem com elegância coreográfica. A palavra “lavagem”, aliás, tornou-se insuficiente – não se trata mais de lavar dinheiro: certos esquemas parecem submeter recursos financeiros a um verdadeiro tratamento estético completo, com peeling, harmonização facial, transplante capilar e cidadania internacional. Em síntese, prevalece uma velha máxima capitalista: privatizam-se os lucros, socializam-se os rombos e terceiriza-se a conta para a população que abastece o carro pagando imposto até pela na fumaça do escapamento. *Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Fórum Notícia anteriorPróxima notícia GovernadorPL Partido LiberalPolícia Federal PF Eduardo Bolsonaro esconde viagem ao Bahrein e só aparece em vídeo de Mário Frias 19/05/2026 Marqueteiro de Flávio, que recebeu R$ 650 mil de Vorcaro, assinou contratos milionários com o governo Bolsonaro 19/05/2026 Valor pedido por Flávio Bolsonaro a Vorcaro equivale a 11% do total investido pelo governo do Rio no Banco Master 19/05/2026 Deixe seu comentário Nome E-mail Comentário Enviar Whatsapp X-twitter Facebook More than 2 results are available in the PRO version (This notice is only visible to admin users) Mais lidas na semana Eduardo Bolsonaro esconde viagem ao Bahrein e só aparece em vídeo de Mário Frias Marqueteiro de Flávio, que recebeu R$ 650 mil de Vorcaro, assinou contratos milionários com o governo Bolsonaro Valor pedido por Flávio Bolsonaro a Vorcaro equivale a 11% do total investido pelo governo do Rio no Banco Master Líder do PDT assina contra fim imediato da escala 6×1 e racha partido Vorcaro volta para cela comum: hipótese mais provável é que delação não foi aceita Boletim Fique bem informado Receba notícias em seu e-mail Assine gratuitamente Enviado com sucesso Por favor, tente novamente.
MPRJ ajuíza ação civil pública para que Petrópolis retome serviço de monitoramento urbano por câmeras

MPRJ ajuíza ação civil pública para que Petrópolis retome serviço de monitoramento urbano por câmeras Justiça atende ao pedido e dá três dias para a Prefeitura do município se posicionar. Por Anna Beatriz Thomaz | g1 18/05/2026 Monitoramento de Câmeras em Petrópolis — Foto: Divulgação Petrópolis – O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Núcleo Petrópolis, na Região Serrana do Rio, ajuizou, na sexta-feira (15), uma ação civil pública, com pedido de tutela de urgência, em face do município. O objetivo é obter, junto ao Juízo da 4ª Vara Cível da Comarca de Petrópolis, uma decisão para que a prefeitura conclua o procedimento licitatório destinado à contratação de sistema de monitoramento urbano por câmeras, observando-se todas as etapas previstas na Lei nº 14.133/2021, com a efetiva celebração do contrato administrativo e implantação do serviço. O MP solicita ainda que a Justiça condene o município a executar a manutenção contínua, adequada e ininterrupta do sistema de câmeras, em quantitativo e cobertura compatíveis com as necessidades da segurança pública, mobilidade e proteção e defesa civil da cidade. A ação tem origem no Inquérito Civil n° 2481, instaurado para apurar a desativação do sistema municipal de monitoramento urbano. Segundo o MPRJ desde o ano de 2017, Petrópolis mantinha contrato com a empresa Emive – Patrulha 24 Horas Ltda. para a locação de sistema de câmeras, que não foi renovado em fevereiro deste ano. A ação ressalta que as câmeras de monitoramento foram instaladas em pontos estratégicos da cidade, auxiliando no controle do trânsito e na prevenção e repressão de delitos. O controle era feito a partir do Centro Integrado de Monitoramento e Operações de Petrópolis (CIMOP), instalado nas dependências da Secretaria Municipal de Defesa Civil. O MP afirma ainda na ação que o monitoramento é vital, pois permite também a verificação, em tempo real, das inundações, comuns na cidade serrana. Cumprindo um importantíssimo papel na prevenção de danos materiais e à vida e integridade das pessoas, já que possibilitam a emissão de alertas mais precisos à população e auxiliam na tomada de decisão pelos gestores quanto à interdição de vias e outras medidas preventivas necessárias. E recentemente, o município vinha adotando, inclusive, a medida de disponibilizar à população o acesso às imagens das câmeras quando havia a ameaça ou ocorrência de chuvas fortes. Em fevereiro deste ano a prefeitura de Petrópolis informou que as câmeras de segurança necessitavam de modernização, e por isso foram desligadas. Mas, segundo o MP, foram na verdade retiradas pelo fornecedor, devido à não renovação do contrato, que já havia passado por termo aditivo. O desligamento ocorreu em período de chuvas intensas e com elevação dos acumulados pluviométricos. Foi realizada uma reunião da Promotoria com a Secretaria de Segurança e Ordem Pública (SSOP), a CPTrans e a Defesa Civil, onde foi informado pelo município que existiam dois procedimentos em curso: um para a contratação emergencial e outro para a licitação do sistema de monitoramento por câmeras. Após cerca de três meses do desligamento, o serviço não foi retomado. Com isso, a justiça, através da 4ª Vara Civil de Petrópolis, atendeu a ação do MPRJ, e estabeleceu, na sexta-feira (15), um prazo de três dias para a prefeitura se posicionar sobre os processos licitatórios. Procurada pelo g1, em nota a prefeitura informou que os procedimentos para a licitação já estão em andamento e todas as providências estão sendo agilizadas para a retomada do serviço de monitoramento o mais rápido possível. Notícia anteriorPróxima notícia MP-RJPetrópolis RJRegião Serrana e Centro Sul Fluminense Vídeo gravado por moradora mostra ratos, barata e sujeira dentro de UPA em Cabo Frio: ‘aqui tá sujo de sangue’ 19/05/2026 ‘Deus te abençoe meu brother’ (AUDIO) 19/05/2026 Eduardo Bolsonaro esconde viagem ao Bahrein e só aparece em vídeo de Mário Frias 19/05/2026 Deixe seu comentário Nome E-mail Comentário Enviar Whatsapp X-twitter Facebook More than 2 results are available in the PRO version (This notice is only visible to admin users) Mais lidas na semana Vídeo gravado por moradora mostra ratos, barata e sujeira dentro de UPA em Cabo Frio: ‘aqui tá sujo de sangue’ ‘Deus te abençoe meu brother’ (AUDIO) Eduardo Bolsonaro esconde viagem ao Bahrein e só aparece em vídeo de Mário Frias Marqueteiro de Flávio, que recebeu R$ 650 mil de Vorcaro, assinou contratos milionários com o governo Bolsonaro Valor pedido por Flávio Bolsonaro a Vorcaro equivale a 11% do total investido pelo governo do Rio no Banco Master Boletim Fique bem informado Receba notícias em seu e-mail Assine gratuitamente Enviado com sucesso Por favor, tente novamente.
PGJ obtém decisão que suspende trechos do Código Ambiental de Mangaratiba por possível inconstitucionalidade

PF cita falta de servidores e pede a Mendonça mais prazo para concluir análise de material apreendido em investigação que menciona Lulinha A Procuradoria-Geral de Justiça obteve, no dia 13 de maio, decisão cautelar do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) que suspende os efeitos de dispositivos do Código Ambiental do Município de Mangaratiba considerados incompatíveis com a Constituição Federal. Por MPRJ 18/05/2026 PGJ obtém decisão que suspende trechos do Código Ambiental de Mangaratiba por possível inconstitucionalidade A medida foi concedida no âmbito de Representação de Inconstitucionalidade ajuizada pela Subprocuradoria-Geral de Justiça de Atribuição Originária e da Assessoria de Atribuição Originária Cível e Institucional (SUBGAO/MPRJ), e suspende, até o julgamento definitivo da ação, a eficácia de diversos artigos da Lei Municipal nº 1.209/2019, alterada pela Lei nº 1.355/2021. Na ação, o MPRJ argumentou que os dispositivos questionados afrontam normas constitucionais ao flexibilizar regras de proteção ambiental e permitir a adoção de medidas compensatórias inadequadas, sem priorizar a reparação integral do dano ambiental no próprio local afetado. Segundo a SUBGAO/MPRJ, as alterações promovidas pela legislação municipal também invadem competência da União para editar normas gerais sobre meio ambiente, além de violarem princípios constitucionais como o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, a vedação ao retrocesso ambiental, a proporcionalidade, a impessoalidade e a moralidade administrativa. Ao analisar o pedido, o desembargador relator Luiz Zveiter reconheceu a plausibilidade jurídica dos argumentos apresentados e o risco de dano decorrente da demora na suspensão das normas. O magistrado destacou a possibilidade de celebração de novos acordos ambientais com medidas compensatórias consideradas insuficientes ou inadequadas, capazes de gerar prejuízos irreversíveis ou de difícil reparação ao meio ambiente. A decisão cautelar, inicialmente proferida de forma monocrática em razão da urgência do caso, foi posteriormente referendada por unanimidade pelo Órgão Especial do TJRJ. Processo nº 3001557-58.2026.8.19.0000 Notícia anteriorPróxima notícia INSSPolícia Federal PFPresidente da RepúblicaPT Partido dos TrabalhadoresSTF Supremo Tribunal Federal PGR autoriza investigação sobre possível intervenção federal na Alerj 01/07/2026 Em reação a Flávio, deputado petista quer criminalizar traição à pátria 01/07/2026 PF cita falta de servidores e pede a Mendonça mais prazo para concluir análise de material apreendido em investigação que menciona Lulinha 01/07/2026 Deixe seu comentário Nome E-mail Comentário Enviar Whatsapp X-twitter Facebook More than 2 results are available in the PRO version (This notice is only visible to admin users) Mais lidas na semana PGR autoriza investigação sobre possível intervenção federal na Alerj Em reação a Flávio, deputado petista quer criminalizar traição à pátria PF cita falta de servidores e pede a Mendonça mais prazo para concluir análise de material apreendido em investigação que menciona Lulinha PF apreende dinheiro dentro de livro falso Mendonça concede liminar, e Crivella fica apto a disputar eleição para o Senado no Rio Boletim Fique bem informado Receba notícias em seu e-mail Assine gratuitamente Enviado com sucesso Por favor, tente novamente.
Carbono Oculto 86: Deputado citado em áudios sobre emendas é sócio de Ciro Nogueira

Carbono Oculto 86: Deputado citado em áudios sobre emendas é sócio de Ciro Nogueira Júlio Arcoverde é mencionado em conversas sobre negociação de emendas parlamentares Por Alice Maciel | ICL Notícias 18/05/2026 Senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o deputado federal Júlio Arcoverde (PP-PI) Além do senador Ciro Nogueira (PP-PI), o deputado federal Júlio Arcoverde (PP-PI) aparece em mensagens encontradas nos celulares de empresários investigados pela Polícia Civil do Piauí na Operação Carbono Oculto 86. Os diálogos sugerem negociações envolvendo emendas parlamentares. Arcoverde é sócio do senador na empresa JJE Agenciamento de Seguros e Serviços. Com sede em Teresina (PI), a empresa atua nos setores de reparo, manutenção e comercialização de peças automotivas, de acordo com registros da Receita Federal. A Operação Carbono Oculto 86 é um desdobramento da investigação homônima que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), com atuação no setor de postos de combustíveis. No Piauí, a operação recebeu o número 86, em referência ao DDD local. Ciro Nogueira e Arcoverde não são investigados, mas a Polícia Civil do Estado solicitou o envio do caso ao Supremo Tribunal Federal (STF), após a investigação identificar menções aos parlamentares com foro privilegiado nas mensagens apreendidas nos celulares dos empresários Haran Santhiago Girão Sampaio e Danillo Coelho de Sousa. Em abril, o ICL Notícias publicou os áudios obtidos pela Polícia Civil que indicam uma suposta proximidade entre Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Ciro Nogueira. Em uma das gravações, Danillo afirma que Beto Louco – apontado como um dos líderes da máfia dos combustíveis – seria “muito amigo” do senador piauiense. Já o nome de Júlio Arcoverde surge em áudios em que empresários discutem recursos destinados ao município de Caxias, no Maranhão, com referência a emendas parlamentares. A existência dessas conversas foi revelada pela Revista Piauí. Em uma das mensagens, Danillo afirma: “O problema foi porque o prefeito cobrou os 130. Mesmo a gente já tendo pago para o Júlio, ele cobrou os 130 de novo. Aí a gente teve que dar para aquele ‘fela’ da puta, daquele prefeito. Aí o Júlio tinha que devolver os 130. Aí ele não devolveu”. Na sequência, o empresário continua: “Quando a gente for acertar com ele essa emenda de Caxias, nós vamos já dizer: ‘Opa, Júlio, eu já te dei os 130’. Na hora que o dinheiro de Caxias entrar, é a hora que nós vamos puxar os 130 de volta.” Em outro trecho da conversa, Danillo indica o rompimento de um suposto acordo envolvendo o deputado federal: “Esse negócio que a gente fez de compromisso com o Júlio aí acabou. Não tem mais. […] Pode ser uma emenda de R$ 1 trilhão. Não pago nada mais. Não faço mais nenhum compromisso daqui pra frente. Zero”. Caxias é administrada pelo prefeito José Gentil Rosa Neto. Ele se filiou ao PP em abril de 2024, durante evento que contou com a presença de lideranças da legenda, entre elas Ciro Nogueira, presidente nacional do partido. É em Caxias também onde está registrada a sede de uma das empresas do senador, a Ciro Nogueira Comércio de Motocicletas (CN Motos), citada na operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e corrupção ligadas ao Banco Master. De acordo com investigação da PF, o senador recebia uma mesada do ex-dono do banco, Daniel Vorcaro. O ICL Notícias entrou em contato com Ciro Nogueira, com o deputado Júlio Arcoverde, com a prefeitura de Caxias e com os empresários Haran Sampaio e Danillo de Sousa, mas não obteve retorno. Em nota enviada à reportagem em abril, após o caso vir à tona, Arcoverde informou desconhecer “quaisquer menções relacionadas ao seu nome no contexto citado”. Ele acrescentou que não é investigado no âmbito da operação, “nem em qualquer outro inquérito”. Contrato milionário na saúde Os investigadores do Piauí suspeitam que o suposto esquema envolvendo emendas parlamentares em Caxias, citado no áudio de Danillo, possa ter relação com a Distribuidora Mercury Medicamentos. A empresa é controlada pela Pima Energia Participações Ltda., que é investigada no âmbito do esquema ligado à máfia dos combustíveis. A Mercury Medicamentos firmou, entre 2024 e 2025, três contratos com a prefeitura de Caxias para o fornecimento de medicamentos e material odontológico, que somam R$ 22,9 milhões. No contrato mais vultoso, assinado em maio do ano passado – com vigência de um ano e valor de R$ 22,5 milhões – o município aderiu a uma ata de registro de preços do Consórcio de Municípios Médio Paranaíba do Piauí (Comepa), por meio do mecanismo conhecido como “carona”, dispensando a realização de uma nova licitação. Em dezembro, no entanto, o Tribunal de Contas do Piauí identificou irregularidades no certame conduzido pelo Comepa e suspendeu os contratos envolvendo os municípios piauienses Picos e São Gonçalo do Piauí com a Mercury Medicamentos. O contrato de Caxias com a distribuidora de medicamentos foi pago com recursos do Fundo Municipal de Saúde, que recebeu R$ 43,3 milhões em emendas parlamentares entre 2025 e maio de 2026. Desse total, mais de 60% (R$ 27,9 milhões) foram destinados pela deputada federal Amanda Gentil, prima do prefeito José Gentil Rosa Neto. Ela presidiu o PP no Maranhão de outubro de 2025 a abril de 2026. Mesma empresa aparece no esquema dos combustíveis A Pima Energia, que controla a Distribuidora Mercury Medicamentos, foi a empresa usada na compra da rede de postos HD, de Haran Sampaio e Danillo de Sousa. A transação é tratada pelos investigadores como um dos indícios da expansão do esquema da máfia de combustíveis de São Paulo para o Piauí. Conforme relatório da Polícia Civil, a Pima Energia foi aberta na capital paulista apenas seis dias antes da compra da rede de postos HD, o que levantou suspeitas sobre a finalidade da empresa. Os investigadores também afirmam que, apesar da mudança societária, houve apenas uma “substituição de bandeira (de HD para Pima e Diamante) sem alteração operacional real”, o que reforçaria a hipótese de uma venda de fachada. Após a
90% das emendas Pix têm irregularidades, apontam Tribunais de Contas

90% das emendas Pix têm irregularidades, apontam Tribunais de Contas Nessa modalidade de baixa transparência, parlamentares enviam bilhões de reais diretamente a governadores e prefeitos, sem necessidade de convênio ou projeto de obra; relatório será enviado ao STF Por Eduardo Barretto | O Estado de S.Paulo 17/05/2026 Plenário da Câmara dos Deputados Foto: Wilton Júnior/Estadão Uma auditoria feita por Tribunais de Contas de todo o País identificou 90% de irregularidades ou vulnerabilidades nas emendas Pix, incluindo indícios de superfaturamento. O levantamento, obtido pela Coluna do Estadão, analisou R$ 497 milhões por meio de 125 repasses de parlamentares a 42 cidades, localizadas em 22 unidades da federação. As transferências aconteceram de 2022 a 2024, durante os governos Bolsonaro e Lula. Nessa modalidade de baixa transparência, deputados e senadores enviam bilhões de reais em verba pública diretamente a governadores e prefeitos, sem necessidade de convênio ou projeto de obra. O relatório será encaminhado nos próximos dias ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, relator de uma ação que monitora emendas parlamentares. O pente-fino foi coordenado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), pela Associação dos Membros dos Tribunais de Contas (Atricon) e pelo Instituto Rui Barbosa (IRB), com participação de Cortes de Contas de todo o Brasil, por meio da Rede Integrar. A auditoria usou um índice de transparência criado pelo TCU, o Indicador de Transparência Ativa das Transferências Especiais, em 57 portais de transparência estaduais e municipais. Em uma escala de zero a 100, a nota média de integridade foi de apenas 26,7.As principais falhas identificadas nas emendas Pix foram as seguintes: Falta de planejamento na aplicação dos recursos; Dificuldade para rastrear origem e destino do dinheiro; Descumprimento de normas da Secretaria do Tesouro Nacional; Indícios de superfaturamento e sobrepreço em obras e compras; Uso de recursos em situações vedadas pela legislação. “É um levantamento importante por primar pela transparência e a aplicação dos escassos recursos públicos em favor da sociedade”, afirmou à Coluna o presidente da Atricon, Edilson Silva. Notícia anterior emenda parlamentarPL Partido LiberalPT Partido dos TrabalhadoresSTF Supremo Tribunal FederalTCU Tribunal de Contas da União 90% das emendas Pix têm irregularidades, apontam Tribunais de Contas 17/05/2026 PF apreende R$ 1,1 milhão em moeda estrangeira e 2 carros de luxo na casa de suspeito de operar propinas no RJ 15/05/2026 ‘Aparelho bomba’ e ‘bombinha’: alvos de operação usavam celular em nome de mortos para dificultar rastreio, diz PF 15/05/2026 Deixe seu comentário Nome E-mail Comentário Enviar Whatsapp X-twitter Facebook More than 2 results are available in the PRO version (This notice is only visible to admin users) Mais lidas na semana 90% das emendas Pix têm irregularidades, apontam Tribunais de Contas PF apreende R$ 1,1 milhão em moeda estrangeira e 2 carros de luxo na casa de suspeito de operar propinas no RJ ‘Aparelho bomba’ e ‘bombinha’: alvos de operação usavam celular em nome de mortos para dificultar rastreio, diz PF ‘Cooptação integral do estado’: Castro atuou para ‘blindar’ Refit e favorecer esquemas de Magro, diz PF Operação da PF que mira Castro e dono da Refit bloqueou R$ 52 bilhões Boletim Fique bem informado Receba notícias em seu e-mail Assine gratuitamente Enviado com sucesso Por favor, tente novamente.
Parlamentares de SP mandaram R$ 8 milhões em emendas a ONGs de filme

Quem é Mariângela Fialek, a Tuca, apontada por Dino como ‘braço executor’ de Valdemar e Cunha em desvios de emendas Recursos públicos de emendas enviados a entidades ligadas à produtora de filme de Bolsonaro entraram na mira do ministro Flávio Dino, do STF Por Vinicius Passarelli | Metrópoles 17/05/2026 Cena do filme Dark Horse | Reprodução Deputados e vereadores de São Paulo enviaram ao menos R$ 7,7 milhões em emendas parlamentares para entidades ligadas à produtora cinematográfica Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os dados constam em denúncias feitas pelos deputados federais Tabata Amaral (PSB-SP) e pastor Henrique Vieira (PSol-RJ) e em dados de transparência do governo e da Prefeitura de São Paulo. Na última sexta-feira (15/5), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de uma apuração preliminar para investigar possíveis irregularidades na destinação de emendas para projetos ligados ao ecossistema de entidades comandadas por Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora do filme. Além da Go Up, são citados o Instituto Conhecer Brasil (ICB), Academia Nacional de Cultura (ANC) e Conhecer Brasil Assessoria. A apuração busca informações sobre recursos enviados via emendas de parlamentares do PL, como os ex-deputados federais Alexandre Ramagem (RJ) e Carla Zambelli (SP) e os deputados federais Marcos Pollon (MS), Bia Kicis (DF) e Mario Frias (SP). Frias é produtor executivo e roteirista de Dark Horse e enviou, segundo a denúncia de Tabata, R$ 2 milhões em emendas para o Instituto Conhecer Brasil – R$ 1 milhão para um projeto de “letramento digital” e outro R$ 1 milhão para um projeto esportivo. Desde o mês passado, oficiais de Justiça tentam cumprir uma determinação de Dino e intimar o deputado a prestar esclarecimentos sobre as emendas a empresas da produtora artística responsável pelo filme. Além dos citados na apuração de Dino, levantamento feito pelo Metrópoles aponta que, no final de 2023, a deputada estadual Valéria Bolsonaro (PL) enviou emenda de R$ 100 mil para o Instituto Conhecer Brasil para aquisição de equipamentos. Outro deputado bolsonarista da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), Lucas Bove (PL), indicou uma emenda de R$ 213 mil também para o Instituto Conhecer Brasil, voltado a projetos esportivos, mas o repasse foi impedido por razões técnicas. Já o deputado Gil Diniz (PL), um dos principais aliados de Eduardo Bolsonaro em São Paulo, destinou R$ 200 mil à Academia Nacional de Cultura para custear parte da produção da série documental Heróis Nacionais – filhos do Brasil que não se rende, o mesmo destino de uma emenda de R$ 1 milhão enviada por Zambelli. A denúncia de Tabata, que deu origem ao pedido de investigação de Flávio Dino, ainda cita duas emendas que somam quase R$ 3,6 milhões enviadas pelo ex-vereador da capital Atílio Francisco, com base em reportagem do The Intercept Brasil. O dinheiro seria utilizado para um evento literário gospel e outro evento de dança. Ao menos outros dois vereadores de São Paulo tiveram emendas de sua autoria liberadas para a Conhecer Brasil no ano passado. Indicada por Cris Monteiro (Novo), uma emenda de R$ 100 mil foi liberada para uma oficina de tecnológica voltada a jovens. Outra emenda, de R$ 750 mil e de autoria de André Santos (Republicanos), foi destinada à entidade para a realização de um congresso de inovação em educação. Mário Frias, por meio de sua assessoria, negou qualquer irregularidade. Em nota, Cris Monteiro disse que a emenda teve como único critério o mérito do projeto apresentado. “A destinação da emenda seguiu análise técnica do projeto, que foi integralmente executado. A vereadora desconhece qualquer vínculo entre o Instituto Conhecer Brasil e a produtora mencionada na reportagem”, afirmou. Já Lucas Bove disse que recebeu um “projeto que parecia interessante”, porém redirecionou o recurso por “questões documentais do proponente”. A reportagem busca contato com os outros citados. O espaço seque aberto. Master x Dark Horse A decisão de Dino também ocorre em meio à revelação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu dinheiro para Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a viabilização da obra cinematográfica. Informações preliminares apontam que o banqueiro teria prometido ao parlamentar R$ 134 milhões para ajudar no filme. Até o momento, entretanto, os comprovantes apontam o repasse de R$ 62 milhões. Notícia anteriorPróxima notícia Arthur LiraCEF Caixa Econômica FederalCODEVASF Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do ParnaíbaDeputado FederalEduardo Cunhaemenda parlamentarFNDE Fundo Nacional de Desenvolvimento da EducaçãoHugo MottaMDB Movimento Democrático BrasileiroPL Partido LiberalPolícia Federal PFPP ProgressistasPT Partido dos TrabalhadoresRepublicanosSTF Supremo Tribunal FederalUnião BrasilValdemar Costa Neto MPRJ obtém decisão que determina suspensão de atos do concurso para professores de Magé e apuração de possível descumprimento de ordem judicial 13/07/2026 PP, União Brasil e PL lideram ranking de emendas “sem digital” na Câmara 13/07/2026 Câmara indicou R$ 1,3 bilhão em emendas de comissão sem identificar autor, diz Transparência Brasil 13/07/2026 Deixe seu comentário Nome E-mail Comentário Enviar Whatsapp X-twitter Facebook More than 2 results are available in the PRO version (This notice is only visible to admin users) Mais lidas na semana MPRJ obtém decisão que determina suspensão de atos do concurso para professores de Magé e apuração de possível descumprimento de ordem judicial PP, União Brasil e PL lideram ranking de emendas “sem digital” na Câmara Câmara indicou R$ 1,3 bilhão em emendas de comissão sem identificar autor, diz Transparência Brasil Veja momento em que sargento da PM é executado no RJ (VIDEO) Quem é Mariângela Fialek, a Tuca, apontada por Dino como ‘braço executor’ de Valdemar e Cunha em desvios de emendas Boletim Fique bem informado Receba notícias em seu e-mail Assine gratuitamente Enviado com sucesso Por favor, tente novamente.
Havengate: o fundo na mira da PF que conecta Vorcaro, Flávio e Eduardo Bolsonaro

Havengate: o fundo na mira da PF que conecta Vorcaro, Flávio e Eduardo Bolsonaro Um fundo offshore com sede no Estado americano do Texas está no centro de uma nova linha de investigação da Polícia Federal (PF). Por Thais Carrança | BBC News Brasil 16/05/2026 Fundo com sede no Texas recebeu pelo menos US$ 2 milhões em recursos de empresa ligada a Vorcaro | Agência Senado/Wikimedia Commons/Getty Images São Paulo – Os investigadores apuram se recursos repassados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, a pedido do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), teriam sido usados para custear o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos. Na quarta-feira (14/5), em entrevista à GloboNews, Flávio negou que o dinheiro tenha sido direcionado a Eduardo, reafirmando que o recurso teria sido integralmente destinado à produção do filme Dark Horse, cinebiografia sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Não foi para o Eduardo Bolsonaro. Todos os recursos que foram aportados neste fundo, que é específico para a produção do filme, foram usados integralmente para fazer o filme”, disse Flávio. Na sexta-feira, o senador voltou a negar que parte do dinheiro tenha sido usado para bancar despesas do irmão, acrescentando que Eduardo sobrevive de uma doação feita pelo pai e de reservas próprias. Eduardo vive nos EUA desde fevereiro de 2025. Na última segunda-feira (11/5), a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a condenação do deputado federal cassado por coação no curso de processo, por ter articulado, a partir daquele país, sanções contra o Brasil e autoridades brasileiras, numa tentativa de influenciar o resultado do julgamento de Jair Bolsonaro por golpe de Estado. Em 2025, Jair Bolsonaro enviou R$ 2 milhões a Eduardo nos Estados Unidos, no que foi considerado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) à época como um indício concreto da articulação entre pai e filho com o objetivo de interferir na atuação do Judiciário brasileiro. Eduardo também negou ter recebido recursos de Vorcaro. “A história de que recebi dinheiro do fundo de investimento não se sustenta e é tosca. Não exerci qualquer posição de gestão ou emprego no fundo, apenas cedi meus direitos de imagem”, escreveu, nas redes sociais. Após a declaração de Eduardo, no entanto, o site Intercept Brasil publicou uma nova reportagem, afirmando que o ex-deputado teria atuado como produtor-executivo de Dark Horse, segundo um contrato assinado por ele e diálogos obtidos com exclusividade pelo veículo de imprensa. O contrato de produção ao qual o Intercept teve acesso, datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo Bolsonaro em 30 de janeiro de 2024, traz a empresa GoUp Entertainment, sediada nos EUA, como produtora, e Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) à frente da produção-executiva da cinebiografia. “Os registros contradizem afirmações feitas por Eduardo Bolsonaro (…) sobre sua relação com o filme e colocam o deputado federal cassado como uma peça-chave com poder na tomada de decisões, inclusive financeiras, sobre o filme que conta a história do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro”, afirma a reportagem. “Também mostram que Eduardo omitiu sua conexão com a busca de dinheiro para financiar o filme ao dizer, em post feito no Instagram, que apenas cedeu seus direitos de imagem e não exerceu qualquer cargo de gestão em Dark Horse.” Ao Intercept, a defesa de Mario Frias afirmou que “Eduardo Bolsonaro não é e nunca foi produtor-executivo da produção do filme Dark Horse” e “nunca recebeu qualquer quantia do fundo de investimento cujo produto privado final é o filme”. Já Eduardo afirmou que investiu R$ 350 mil em recursos próprios no início da produção do longa, mas que depois foi reembolsado após a entrada de investidores na produção. Ele disse que, naquele momento, atuava como diretor executivo do projeto. “Quando a estrutura passou a ser uma estrutura de fundo de investimento, começou a ter outra estrutura, eu saí dessa posição de diretor executivo, que era o contrato antigo com a produtora. Passei então a ser somente uma pessoa que assinou a sua seção de direitos autorais para que um ator pudesse me representar no filme”, disse, em vídeo publicado nas redes sociais. O fundo suspeito O fundo que levantou suspeitas de um possível favorecimento de Eduardo nas transações financeiras milionárias entre Flávio e Vorcaro é o Havengate Development Fund LP. O site The Intercept Brasil, que primeiro noticiou o caso, teve acesso a um comprovante de uma ordem de pagamento de US$ 2 milhões e uma tabela com previsão de valores a serem pagos, que indicam que pelo menos parte dos US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões) pagos por Vorcaro a Flávio entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações, foi transferida pela empresa Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria com empresas de Vorcaro, para o fundo Havengate. O grupo Entre é liderado por Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, e que foi alvo da segunda fase da operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes financeiras e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master e Vorcaro. Após a deflagração da operação, o Banco Central decretou em março deste ano a liquidação extrajudicial da Entrepay Instituição de Pagamento e, por extensão, da Acqio Adquirência e da Octa Sociedade de Crédito Direto, instituições integrantes do Conglomerado Entrepay, controlado pela Entre Investimentos. As autoridades passaram a investigar então se Vorcaro seria um “dono oculto” da empresa, embora a Entre negue qualquer vínculo societário, de controle ou governança. Segundo o Intercept, com base nos documentos aos quais o veículo teve acesso, a opção de Vorcaro por remeter recursos à família Bolsonaro no exterior por meio da Entre Investimentos ao fundo Havengate aconteceu após dificuldades operacionais para a remessa internacional dos recursos. Em fevereiro de 2025, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro apontado pela PF como principal operador financeiro do banqueiro, relatou sucessivas recusas do setor de câmbio do Banco Master de realizar a operação, conforme o Intercept. Vorcaro, então, teria orientado que o pagamento fosse realizado “via entre”, o que seria uma referência à empresa Entre Investimentos e Participações. Se os recursos deixaram o Brasil
ONG ligada a filme de Bolsonaro emitiu R$ 1,2 milhão em notas fiscais para ela mesma

ONG ligada a filme de Bolsonaro emitiu R$ 1,2 milhão em notas fiscais para ela mesma Instituto Conhecer Brasil, que é da mesma dona da Go Up Entertainment, é detentora de contrato multimilionário suspeito com a gestão Ricardo Nunes, em SP, que pode ter direcionado dinheiro para “Dark Horse” Por Henrique Rodrigues | Fórum 16/05/2026 Cartaz de divulgação do filme Dark Horse O imbróglio financeiro que mistura dinheiro público da Prefeitura de São Paulo com a obra cinematográfica do ex-presidente Jair Bolsonaro ganhou um capítulo que beira o inacreditável. O Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização não governamental comandada pela empresária Karina Ferreira da Gama, emitiu mais de R$ 1,2 milhão em notas fiscais para ela mesma a fim de justificar gastos de um polêmico convênio de internet com a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). A denúncia foi trazida a público pelo vereador paulistano Nabil Bonduki (PT) em seu perfil na rede social X (antigo Twitter). O parlamentar expôs os documentos fiscais emitidos pelo ICB que revelam o nível do descalabro: são duas notas fiscais emitidas pela ONG direcionadas ao seu próprio CNPJ, nos valores exatos de R$ 702.800,00 e R$ 568.572,97. “A ONG da produtora do filme sobre Bolsonaro emitiu NOTA PARA SI PRÓPRIA para justificar gastos no contrato com a Prefeitura de São Paulo! Esse é o nível do descalabro: milhões de reais para uma instituição dizer que está prestando serviços para ela mesma. Uma das coisas mais absurdas que já vi. E olha que a gestão Nunes já está cheia de irregularidades absurdas”, disparou Bonduki na postagem. A primeira das notas fiscais do ICB O elo entre o wi-fi de SP e o cinema bolsonarista Para compreender o tamanho do escândalo, é preciso olhar para a teia corporativa operada por Karina Ferreira da Gama, personagem que se tornou o ponto de inflexão das investigações do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e do Supremo Tribunal Federal (STF). Karina preside o Instituto Conhecer Brasil (ICB), uma associação privada que, apesar de não possuir qualquer histórico consolidado ou corpo técnico no mercado de telecomunicações, faturou um contrato emergencial de R$ 108 milhões na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) da gestão Ricardo Nunes — prefeito amplamente alinhado ao bolsonarismo e ao governador Tarcísio de Freitas. O objetivo era instalar 5 mil pontos de wi-fi gratuito na capital. O Tribunal de Contas do Município (TCM) chegou a apontar 20 graves irregularidades no edital, que ignorou a ampla concorrência. Mesmo entregando menos roteadores do que o previsto, a ONG recebeu aditivos suspeitos que inflaram os repasses da prefeitura para R$ 69 milhões. O que conecta o asfalto paulistano a Hollywood é que Karina Ferreira da Gama também é dona da produtora Go Up Entertainment. No Brasil, a Go Up funciona no mesmíssimo endereço físico do ICB, em um prédio de alto padrão na Avenida Paulista. Nos EUA, a filial Go Up Entertainment LLC é a produtora oficial responsável por rodar “Dark Horse”, a cinebiografia multimilionária de Jair Bolsonaro. A suspeita contundente dos investigadores é de que a estrutura pública de conectividade digital da maior metrópole da América Latina funcionou como uma espécie de base operacional e fluxo de caixa indireto para a produção do filme. O escândalo dos R$ 61 milhões e o cerco aos filhos de Bolsonaro A maquiagem contábil das notas fiscais emitidas para si própria surge no momento em que a engrenagem internacional de “Dark Horse” está sob forte bombardeio. O filme acabou se tornando o epicentro de um escândalo transnacional quando o site The Intercept Brasil revelou que o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master (atualmente preso sob a acusação de capitanear uma fraude bilionária de R$ 12 bilhões), injetou R$ 61 milhões na produção a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A farsa de que a família Bolsonaro mantinha apenas um vínculo de “imagem” com o projeto ruiu de vez com a descoberta de contratos assinados digitalmente que apontam o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o deputado Mario Frias (PL-SP) como produtores-executivos e gestores financeiros diretos do orçamento da produção. Eduardo, inclusive, foi flagrado em mensagens interceptadas discutindo métodos complexos para enviar divisas para os EUA de forma fragmentada para evitar o radar das autoridades. Para fechar o triângulo do escândalo, Mario Frias ainda destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares federais justamente para o Instituto Conhecer Brasil de Karina, o que gerou a abertura de uma frente de investigação no STF sob a relatoria do ministro Flávio Dino por suposta triangulação ilícita de capitais. Com o cerco judicial se fechando e com as novas provas de autofaturamento apresentadas no front municipal por Nabil Bonduki, a tese de “prestação de serviços sociais” da ONG da Avenida Paulista desmorona a olhos vistos, deixando a gestão de Ricardo Nunes e o clã Bolsonaro sem respostas plausíveis para o labirinto de notas fiscais e milhões cruzados. Outro lado A reportagem da Fórum entrou em contato com a responsável pelo ICB, Karina Ferreira da Gama, para que ela explicasse o motivo das notas fiscais terem sido emitadas para o próprio CPF da ONG. Até o momento da publicação da matéria, Karina não havia retornado. O espaço segue aberto para que ela se manifeste. 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